01 Julho 2026

A transformação digital do Estado brasileiro acaba de receber um importante alerta do Tribunal de Contas da União (TCU). Em decisão publicada no dia 18 de junho, o tribunal recomendou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e à Secretaria de Governo Digital (SGD) a adoção de medidas para enfrentar a perda de atratividade da carreira de Analista em Tecnologia da Informação (ATI).

A decisão confirma algo que os ATIs conhecem na prática há muitos anos: não existe governo digital sem profissionais qualificados para planejar, desenvolver, proteger e sustentar os sistemas que mantêm a administração pública funcionando.

O reconhecimento é relevante porque parte do principal órgão de controle da administração pública federal. Ao analisar dados do próprio governo, o TCU concluiu que a dificuldade de atrair e reter profissionais de tecnologia continua sendo um desafio estrutural para o Estado brasileiro.

Os números apresentados ao tribunal chamam atenção. Mesmo após a realização do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), que aprovou 1.151 candidatos para a carreira de ATI, o preenchimento das vagas ficou abaixo do esperado. Para ocupar inicialmente 300 vagas, foram necessárias diversas convocações, resultando em apenas 171 servidores em exercício. 

Mais do que um problema de gestão de pessoas, o TCU reconhece que a situação impacta diretamente a capacidade do governo de executar sua estratégia de transformação digital. O tribunal associou a escassez de profissionais aos riscos para a continuidade dos serviços públicos digitais, para a segurança da informação e para a evolução dos sistemas utilizados diariamente por milhões de brasileiros.

Para o presidente da ANATI, Luiz Alexandre, a decisão do TCU representa um reconhecimento institucional das preocupações que a entidade vem apresentando há anos. "O próprio governo e o TCU reconhecem que existe uma dificuldade crescente para atrair e reter profissionais de tecnologia. Estamos falando de servidores que sustentam a transformação digital do Estado, garantem a segurança das informações dos cidadãos e viabilizam serviços utilizados diariamente por milhões de brasileiros. Sem profissionais qualificados, não existe soberania digital nem governo digital eficiente."

O acórdão também destaca um ponto central para o futuro da administração pública: a transformação digital não depende apenas da aquisição de novas tecnologias ou da expansão do uso de inteligência artificial. Ela depende, sobretudo, de pessoas.

Ao determinar o monitoramento das ações que serão adotadas pelo governo, o TCU reforça uma mensagem que precisa ser compreendida por toda a administração pública: investir na valorização, atração e retenção dos Analistas em Tecnologia da Informação.