Resposta ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) sobre a reportagem publicada pelo Jornal Extra no dia 30/03/2025 com o título: Meu INSS e Crédito do Trabalhador: servidores de TI alertam para ameaças de continuidade de serviços
A Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação (ANATI) vem, mais uma vez, manifestar publicamente sua posição diante da resposta apresentada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) na aludida reportagem de 30 de março de 2025. A matéria aborda as consequências da crise na carreira de Analista em Tecnologia da Informação (ATI) e os riscos reais à continuidade de serviços digitais essenciais ao cidadão.
Desde o início das discussões sobre a reestruturação da carreira de ATI, a ANATI alertou que a proposta apresentada pelo MGI não enfrentava os problemas estruturais que afetam a categoria. Como já previsto pela associação, os valores iniciais da nova tabela remuneratória ficaram 14,06% abaixo do total recebido anteriormente pelos profissionais sob o Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE), quando somados à Gratificação Temporária do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (GSISP).
Além disso, a inclusão obrigatória da totalidade da remuneração na base de cálculo da contribuição previdenciária gerou redução no valor líquido percebido por muitos servidores, comprometendo diretamente seu poder de compra. Enquanto isso, outras carreiras do serviço público federal conquistaram acordos mais vantajosos no mesmo período, o que evidencia a existência de margem orçamentária e reforça a ausência de vontade política por parte do Ministério em valorizar uma carreira estratégica para o Estado brasileiro.
Esse cenário contribui decisivamente para o desinteresse crescente pelo cargo e para a evasão de profissionais qualificados — realidade que vem se agravando nos últimos anos. O próprio MGI reconhece, ainda que de forma indireta, essa crise ao justificar o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) como uma tentativa de recomposição do quadro de ATIs, em razão de aposentadorias, migrações para outros órgãos ou para a iniciativa privada.
Contudo, tal explicação omite a gravidade da situação. Dados levantados pela ANATI demonstram que mais de 50% dos profissionais têm deixado seus cargos e que a taxa de desistência no último CPNU ultrapassou 72%. Trata-se de um êxodo motivado não apenas por aposentadorias, mas por fatores estruturais como a desvalorização da carreira, estagnação salarial, retirada de direitos e a ausência de diálogo institucional.
O resultado das convocações para o curso de formação do CPNU reforça esse diagnóstico. Dos 300 candidatos convocados inicialmente, 95 desistiram. Na segunda chamada, ocorreram mais 23 desistências, e na terceira, outras 6. Embora se tenha formado uma lista final de 300 pessoas para matrícula no curso de formação, apenas 214 efetivaram a inscrição. Ou seja, 215 desistências em relação ao total de vagas, o que representa aproximadamente 72%.
Dos 214 que efetivaram matrícula, 22,4% já aguardam nomeação em outros concursos com salários iniciais superiores e 63,3% afirmaram que pretendem utilizar a carreira apenas como trampolim profissional. Esses dados evidenciam uma carreira fragilizada, sem atratividade, nem perspectiva de longo prazo, agravando o déficit de profissionais especializados na área de tecnologia da informação no Governo Federal.
O MGI também sugere que outras carreiras com atuação na área de TI poderiam suprir a ausência de ATIs. A ANATI refuta esse argumento. A crise não é apenas quantitativa, mas qualitativa: o cargo de Analista em Tecnologia da Informação exige competências específicas, indispensáveis para a gestão, segurança e inovação dos sistemas públicos digitais. A fragmentação da TI em diferentes perfis de carreira no próprio CPNU não resolve o problema, e sim o aprofunda.
Ignorar a importância estratégica dos ATIs significa colocar em risco a transformação digital do Estado brasileiro. São esses profissionais que atuam na proteção de dados dos cidadãos, na segurança de sistemas críticos, na inovação dos serviços digitais e na implementação de soluções em inteligência artificial. Substituí-los por profissionais de outras carreiras, sem a devida especialização, compromete a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população.
Dessa forma, a ANATI reitera que a crise na carreira de ATI não se resume a um pleito corporativo. Trata-se de uma questão estrutural, que exige respostas urgentes do governo federal, sob pena de comprometer o funcionamento de serviços essenciais à sociedade.
Diante da omissão do MGI e da falta de diálogo com a categoria, a ANATI comunica que tomará as seguintes medidas:
- Início de operação padrão por parte dos ATIs a partir de 07 de abril de 2025;
- Consolidação de lista de servidores dispostos a entregar seus cargos de chefia e liderança no Executivo Federal;
- Realização de manifestações pacíficas, nas seguintes datas e locais:
- 07/04/2025 – Em frente ao Bloco K, sede do MGI;
- 14/04/2025 – Em frente à Presidência da República.
As ações têm o objetivo de alertar as autoridades e a sociedade brasileira para o risco iminente de fracasso na atração e retenção de profissionais qualificados, o que compromete a eficiência da transformação digital do governo. A ANATI também reforça o apelo pela reabertura imediata da mesa de negociação, visando à construção de uma solução efetiva, técnica e justa para a valorização da carreira de ATI.
Diretoria Executiva
Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação (ANATI)